você está aqui » Home » Programação de sexta

Programação de Sexta (10/05) - Juazeiro
Alt text
Mesa-redonda reflete sobre a imagem do sertão contemporâneo

A manhã de hoje começou com a mesa-redonda “Os Sertões Contemporâneos: Desconstruindo Estereótipos” com coordenação de Gislene Moreira. Os convidados Elder Maia, Durval Muniz de Albuquerque Jr e José Moacir dos Santos discorreram sobre a metamorfose do sertão, que naturalmente incorporou questões econômicas, culturais, sociais, históricas, políticas e tecnológicas, mas ainda é visto dentro de um contexto estereotipado e defasado. O professor-pesquisador Durval Muniz de Albuquerque Jr atentou para a descrição da palavra sertão nos dicionários brasileiros e como esta é marginalizante: “O conceito de sertão no dicionário Aurélio, por exemplo, remete à ideia de distância espacial e temporal. O sertão é enxergado como um lugar de não-civilização, de não-cultivo, folclórico, não-contemporâneo e, quando não é assim, acham que isso fará com que o sertão seja descaracterizado, perdendo sua identidade. Para essas pessoas, o sertão deve permanecer o mesmo, distante e ausente. Mas como negar a presença do sertão se ele congrega a maior população vivendo em área semi-árida de todo o mundo? Para mantê-lo ausente da vida política, econômica e cultural do país, é preciso manter invisível essa enorme população”, afirma.

Já o professor Elder Maia aponta o antagonismo existente nas relações entre os diversos lugares-comuns referentes à imagem do sertão: “Só se entende a demanda de turismo no São João pois o estereótipo é uma motivação. As pessoas que vão atrás do festejo junino nas capitais buscam isso, por isso é criada a imagem da casa de taipa, do cuscuz feito na hora, do sanfoneiro, da inocência. A xilogravura hoje é um elemento que adorna grande parte das casas da família de classe média do Brasil – as pessoas importam estes elementos e isso movimenta uma dinâmica econômica gigantesca. Parte do consumo das pessoas é formado pela construção dos estereótipos. Ou seja, esta construção tem duas fases: constrange e marginaliza e também impulsiona.”

Esta discussão fecha cumprindo o propósito de trazer à tona a questão do reconhecimento dos novos elementos sertanejos como tais – a natureza verde, a terra produtiva, a mulher independente, a antena parabólica nas casas. Todos estes componentes que pedem a desconstrução necessária para a reconstrução do que se imagina como semi-árido e sua população.

  • Local: Centro de Cultura João Gilberto, Juazeiro, Sala Principal - 9h
  • Data: 10 de maio
  • Entrada Franca
II Encontro de Estudos das Culturas dos Sertões

Segundo dia de apresentação de trabalhos e pesquisas com a temática do Sertão.

  • Local: Centro de Cultura João Gilberto, Juazeiro, Salas 2 e 3 - 14h
  • Data: 10 de maio
  • Entrada Franca
Aula-espetáculo: “Matria: uma outra linha de tempo cultural” com Antonio Nóbrega
Alt text

O artista e músico Antonio Nóbrega ministrará a aula-espetáculo “Matria: uma outra linha de tempo cultural”, no dia 10 de maio, às 18h, no Centro de Cultura João Gilberto, em Juazeiro, durante a realização da II Celebração das Culturas dos Sertões. As peças que serão apresentadas pelo pernambucano vão desde obras da tradição oral a obras autorais, como sambas de Nelson Cavaquinho e Candeias, canções de Caymmi e do próprio Antonio Nóbrega, além de coreografias sobre a música de Bach.

A aula-espetáculo que será apresentada procura harmonizar o discurso com a performance, o conceito com a emoção. São canções, danças e peças instrumentais que fazem um jogo de polaridades a duas vertentes civilizatórias: uma de contextualização prevalentemente masculina (o discurso, o conceito), representada pela tradição ocidental de base europeia e de ascendência greco-latina e judaico-cristã, e outra de prevalência feminina (o sensível, o emocional) de filiação extra-europeia e de maior presença no hemisfério sul. "Não se trata de sobrepor o princípio feminino ao masculino, mas de buscar o equilíbrio entre ambos, incorporando à nossa sociedade contemporânea o melhor das duas tradições em vista de um futuro esperançoso para a humanidade e para o planeta Terra", afirma o artista.

Sobre Antônio Nóbrega

Violinista desde criança, Nóbrega participou no final dos anos 60 da Orquestra de Câmara da Paraíba e a partir dos anos 70 percorreu quase todo o Brasil estudando as manifestações populares, aprendendo cantos, toques instrumentais, danças, modos de representar dos brincantes, folgazões e demais artes populares. A partir deste envolvimento, Nóbrega começou a desenvolver um estilo próprio de concepção em artes cênicas, dança e música apresentando então diversos espetáculos que são extremamente concorridos pelo público até hoje. Convidado por Ariano Suassuna, o artista também passou a integrar como instrumentista e compositor o Quinteto Armorial, grupo precursor na criação de uma música de câmara brasileira de raízes populares.

  • O que: Aula-espetáculo de Antônio Nóbrega “Matria: uma outra linha de tempo cultural”,
  • Quando: 10 de maio de 2013, as 18h
  • Onde: Centro de Cultura João Gilberto, em Juazeiro
Mostra de músicas dos sertões: Juazeiro e Petrolina

Cantores e cantoras das duas cidades fazem um grande show na Concha Acústica do Centro de Cultura João Gilberto, com mostras de suas atuações na cena artística das citadas cidades, festejando assim, artistas e público, este grande encontro. Teremos como representantes Maviael Melo e o grupo Matingueiros.

  • Local: Centro de Cultura João Gilberto, Juazeiro, Concha Acústica - 20h
  • Data: 10 de maio
  • Entrada Franca